31.1.08

Círculo Vicioso


As flores rareiam nos campos

Não faz mal
Desfolharei um pavão
no jogo do malmequer

E qualquer que seja a resposta
muito, pouco, nada
darei uma gargalhada
pela vaidade dos homens e dos bichos.


Ruy Guerra

Rôsinha


Rôsinha
eu estar chatiado
não ir trabalhar.
Rôsinha
agente aôje vai amar.
- Ouvi quirido
você sabe qui Chiquito
comeu manga verde
tem dor no barriga
agente aôje não vai amar.
Rôsinha
eli não vai chorar!
Eu vai comprar rimédio pra Chiquito
tu vai ver
eli ficar bom
eli ádi bricar.
Tira capulana Rôsinha
agente aôje vai amar!


Calane da Silva


Presença



Sou dos que ainda estão presentes
e bebem do amor a única ausência.

Quantos pedaços de mentiras
retenho na viscosidade do meu cuspo?

Quantas verdades apaixonadas
reclamam ansiosas o esperma das palavras?

Nenhumas, talvez, nenhumas...
escravizo o silêncio
e faço dele o meu mensageiro.

Estou presente em tudo ou mais
e aí onde me procurarem
será a minha próxima ausência.

Hélder Muteia


Hélder Muteia nasceu em Quelimane em 1960. Formado em Veterinária, poeta e cronista, foi um dos fundadores da Charrua e esteve na origem de uma revista literária da universidade Eduardo Mondlane. Tem várias obras publicadas.


É preciso plantar



É preciso plantar
mamã
é preciso plantar

é preciso plantar
nas estrelas
e sobre o mar

nos teus pés nus
e pelos caminhos

é preciso plantar

nas esperanças proibidas
e sobre as nossas mãos abertas

na noite presente
e no futuro a criar

por toda a parte
mamã

é preciso plantar

a razão
dos corpos destruídos
e da terra ensanguentada
da voz que agoniza
e do coro de braços que se erguem

por toda a parte
por toda a parte
por toda a parte mamã

por toda a parte
é preciso plantar
a certeza
do amanhã feliz
nas caricias do teu coração
onde os olhos de cada menino
renovam a esperança

sim mamã
é preciso
é preciso plantar

pelos caminhos da liberdade

a nova árvore
da Independência Nacional.


Marcelino dos Santos

Manhã



É a manhã que vem
silhueta azul e branca
frescura doce de cana
flor de luz a desabrochar
Oh! Alvorada de diamante!

Oh, é a manhã que vem
silhueta azul e branca
missanga de sol e promessa!


Gualter Soares


Cantiga do batelão


Se me visses morrer
os milhões de vezes que nasci

Se me visses chorar
os milhões de vezes que te riste...

Se me visses gritar
os milhões de vezes que me calei...

Se me visses cantar
os milhões de vezes que morri
e sangrei...

Digo-te irmão europeu
havias de nascer
havias de chorar
havias de cantar
havias de gritar

E havias de sofrer
a sangrar vivo
milhões de mortes como Eu!!!

José Craveirinha


O Pescador Velho


Pescador vindo do largo
com o teu calçado de algas
diz-me o que trazes no barco
donde levantas a face

a tua face marcada
pelo sol de horas choradas
dá-me o teu peixe pescado
bem lá no fundo do mar

-nesta água não tem peixe-

pescador dá-me um só peixe
nem garoupa nem xaréu
só um peixinho de prata

-nesta água não tem peixe
foi tudo procurar deus
pró lado de Zanzibar.

Glória de Sant'Anna


Amanhã


Plena é a ilusão
só Deus imenso a sofrer.
Ouvirmos uma criança a gritar
e pensar que não somos nós um dia
homens na terra a chorar.

Não vivemos
a razão de estar vivos
e por isso é que despertamos
quietos depois de morrer.

José Craveirinha



Mulher de M'siro


O m'siro
encantamento dos meus olhos

perfaz a tua insular imagem.
No litoral do teu copo

a apoteótica espuma
do orgasmo das ondas.

Ó júbilo na falésia do canto.


Nelson Saúte


Nelson Saúte nasceue em Lourenço Marques (Maputo) em 1967. Jornallista cultural e comentador político, colaborou na imprensa, rádio e televisão em Moçambique. tem diversas obras editadas. Organizou diversas antologias e colectâneas literárias sobre Moçambique.

Ouamisi


Será desta luz d'equinócio o manto verde azul
quem te confere teu ar de canto singular?
Será que o mistério vem mais da luz iridiscente
que de tua alma errante em busca da vertigem?

Etiópia Sudão Novo Mundo e Extremo Oriente
escravos e canelas, baixelas de prata bordados.
Será que posso falar de omnipresente osmose
entre o sagrado e o grito mineral da carne?

Efebos e mulheres, conquistadores e naus
entre o simulacro de uns, de outros a firmeza,
neste santuário de almas, a génese irrompe

como se o génio da memória e da paisagem
se beijassem na imediatez do que reclamo
e do oceano imprevisível, nascesses tu, ilha.


Virgílio de Lemos



Muhípiti


É onde deponho todas as armas. Uma palmeira
harmonizando-nos o sonho. A sombra.
Onde eu mesmo estou. Devagar e nu. Sobre
as ondas eternas. Onde nunca fui e os anjos
brincam aos barcos com livros como mãos.
Onde comemos o acidulado último gomo
das retóricas inúteis. É onde somos inúteis.
Puros objectos naturais. Uma palmeira
de missangas com o sol. Cantando.
Onde na noite a Ilha recolhe todos os istmos
e marulham as vozes. A estatuária nas virilhas.
Golfando. Maconde não petrificada.
É onde estou neste poema e nunca fui.
O teu nome que grito a rir do nome.
Do meu nome anulado. As vozes que te anunciam.
E me perco. E estou nu. Devagar. Dentro do corpo.
Uma palmeira abrindo-se para o silêncio.
É onde sei a maxila que sangra. Onde os leopardos
naufragam. O tempo. O cigarro a metralhar
nos pulmões. A terra empapada. Golfando. Vermelha.
É onde me confundo de ti. Um menino vergado
ao peso de ser homem. Uma palmeira em azul
humedecido sobre a fronte. A memória do infinito.
O repouso que a si mesmo interroga. Ouve.
A ronda e nenhum avião partiu. É onde estamos.
Onde os pássaros são pássaros e tu dormes.
E eu vagueio em soluços de sílabas. Onde
Fujo deste poema. Uma palmeira de fogo.
Na Ilha. Incendiando-nos o nome.


Luís Carlos Patraquim

Naturalidade


Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem a raíz de algum
pensamento europeu.
É provável... Não, é certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.

Rui Knopfli


Pelo dever



PELO DEVER

de resistir e caminhar
pelos destroços da nossa utopia,
eis-nos aqui de novo, acocorados,
aqui onde o tempo pára
e as coisas mudam.

E PARA QUE O NOSSO SONHO RENASÇA

com a levitação do vento e do grão,
eis-nos aqui de novo,
passivos como os espelhos,
no tear da nossa existência.

ESTE SEMPRE SERÁ

O nosso amanhecer.
E a nossa perseverança
é como a da erva daninha
que lentamente desponta na pedra nua



Armando Artur



João Armando Artur nasceu na Zambézia, a 28 de Dezembro de 1962. Pertence à direcção da Associação dos Escritores. è um dos poetas revelados com o movimento Charrua.

Xikalamidade



Se um dia me viste a vagar as ruas da cidade
(qual molweni atribulado na sua vagabundagem)
o corpo constelado de remendos, quase seminu
todavia por todos poros respirando dignidade

hás-de me ver hoje envolto em nova embalagem
caso cruze denovamente a mesma esquina com tu
Não me pergunte o raio por que deixava eu esta
indumentária envelhecer lá bem no fundo do baú

Um pouco de bom-senso e apenas dois dedos de testa
e saberás que ninguém grama de andar com o corpo nu
Se antes de minhas foram alguém que eu desconheço
estas jeans coçadas que ao meu corpo se ajustam bem
como se feitas por encomenda, com as medidas que eu meço
é porque em estado natural sempre iguais são os homens


Simeão Cachamba



Metamorfose



quando o medo puxava lustro à cidade
eu era pequeno
vê lá que nem casaco tinha
nem sentimento do mundo grave
ou lido Carlos Drummond de Andrade

os jacarandás explodiam na alegria secreta
de serem vagens e flores vermelhas
e nem lustro de cera havia
para que o soubesse
na madeira da infância
sobre a casa

a Mãe não era ainda mulher
e depois ficou Mãe
e a mulher é que é a vagem e a terra
então percebi a cor
e a metáfora

mas agora morto Adamastor
tu viste-lhe o escorbuto e cantaste a madrugada
das mambas cuspideiras nos trilhos do mato
falemos dos casacos e do medo
tamborilando o som e a fala sobre as planícies verdes
e as espigas de bronze
as rótulas já não tremulam não
e a sete de Março chama-se Junho desde um dia de há muito
com meia dúzia de satanhocos moçambicanos
todos poetas gizando a natureza e o chão no parnaso das balas
falemos da madrugada e ao entardecer
porque a monção chegou
e o último insone povoa a noite de pensamentos grávidos
num silêncio de rãs a tisana do desejo
enquanto os tocadores de viola
com que latas de rícino e amendoim
percutem outros tendões de memória
e concreta
a música é o brinquedo
a roda
e o sonho
das crianças que olham os casacos
e riem
na despudorada inocência deste clarão matinal
que tu
clandestinamente plantaste
Aos Gritos

Luís Carlos Patraquim


Luís Carlos Patraquim nasceu em Lourenço Marques (actual Maputo), em 1953.
Colaborador do jornal “A Voz de Moçambique”, refugia-se na Suécia em 1973. Regressa ao país em Janeiro de 75 integrando os quadros do jornal “A Tribuna”. Membro do núcleo fundador da AIM (Agência de Informação de Moçambique) e do Instituto Nacional de Cinema (INC) onde se mantém, de 1977 a 1986, como roteirista/argumentista e redactor principal do jornal cinematográfico “Kuxa Kanema”. Criador e coordenador da “Gazeta de Artes e Letras” (1984/86) da revista “Tempo”.
Desde 1986 residente em Portugal, colabora na imprensa moçambicana e portuguesa, em roteiros para cinema e escreve para teatro. Foi consultor para a “Lusofonia” do programa “Acontece”, de Carlos Pinto Coelho e é comentador na RDP-África.


Mastro.
Mastro.
Eis que dentro deste instante

o mundo se principia a iniciar.

Musgo verde

sal das praias

resto que nutro

no hálito quente dos animais.

Eduardo White


País de mim


42.
O peso da vida!
Gostava de senti-lo à tua maneira
e ouvi-la crescer dentro de mim,
em carne viva,

não queria somente
rasgar-te a ferida,
não queria apenas esta vocação paciente
do lavrador,
mas, também, a da terra
e que é a tua

Assume o amor como um ofício
onde tens que te esmerar,

repete-o até à perfeição,
repete-o quantas vezes for preciso
até dentro dele tudo durar
e ter sentido

Deixa nele crescer o sol
até tarde,
deixa-o ser a asa da imaginação,
a casa da concórdia,

só nunca deixes que sobre
para não ser memória.

Eduardo White


Eduardo Costley White nasceu em Quelimane, em 1963. Fundador da revista Charrua tem uma extensa obra editada.

27.1.08

Grito de Alma


Vem de séculos, alma, essa orgulhosa casta,
Repudiando a dor, tripudiando a lei.
Num gesto de altivez que em onda leva arrasta
Inteiras gerações de amaldiçoada grei.


Ir procurar, amor, nessa altivez madrasta,
Um gesto de carinho ou de brandura, eu sei?
Ao tigre dos juncais, duma crueza vasta,
Quem há que roube a presa? Aponta-me e eu irei!


Cruel destino o meu, que ao meu caminho trouxe
Na fulgurante luz do teu olhar tão doce
À mágoa minha eterna, a minha eterna dor.


Vai. Segue o teu destino. A onda quer-te e passa.
Vai com ela cantar o orgulho da tua raça
Que eu ficarei cantando o nosso eterno amor...


Rui de Noronha


Dia Africano


Os corvos marcam
trajectórias largas pelo dia branco,
por sobre a cabeça
dos negros cantando.

Há vento disperso,
rasgando nas folhas das árvores altas,
melodias lentas
de antigas desgraças.

E restos de luz
de um sol sugerido por neves quietas,
caem dos telhados
e batem nas pedras.

Tudo hoje é denso
como uma gravura de atitude rítmica,
pousada nos vidros
cortada da Bíblia.

Glória de Sant'Anna



Epigrama


Os teus lábios, digo-te, não são doces
como mel.

(O mel
acaba por enjoar.)

Mas são doces, os teus lábios, digo-te.
Mas doces como quê?
Ora, doces como eles são.

Doces?

Sim, olha, doces como o pão
que todos os dias comemos
sem fartar.

Rui Knopfli



Sonho de Mãe negra


Mãe negra
Embala o seu filho
E na sua cabeça negra
Coberta de cabelos negros
Ela guarda sonhos maravilhosos

Mãe negra
Embala o seu filho
E esquece
Que o milho já a terra secou
Que o amendoim ontem acabou

Ela sonha mundos maravilhosos
Onde o seu filho iria á escola
Á escola onde estudam os homens

Mãe negra
Embala o seu filho
E esquece
Os seus irmãos construindo vilas e cidades
Cimentando-as com o seu sangue

Ela sonha mundos maravilhosos
Onde o seu filho correria na estrada
Na estrada onde passam os homens

Mãe negra
Embala o seu filho
E escutando
A voz que vem de longe
Trazida pelos ventos
Ela sonha mundos maravilhosos
Mundos maravilhosos
Onde o seu filho poderá viver.

Kalungano

Moças das Docas



Somos fugitivas de todos os bairros de zinco e caniço.
Fugitivas das Munhuanas e dos Xipamanines,
viemos do outro lado da cidade
com nossos olhos espantados,
nossas almas trançadas,
nossos corpos submissos e escancarados.
De mãos ávidas e vazias,
de ancas bamboleantes lâmpadas vermelhas se acendendo,
de corações amarrados de repulsa,
descemos atraídas pelas luzes da cidade,
acenando convites aliciantes
como sinais luminosos na noite.

Viemos ...
Fugitivas dos telhados de zinco pingando cacimba,
do sem sabor do caril de amendoim quotidiano,
do doer espáduas todo o dia vergadas
sobre sedas que outras exibirão,
dos vestidos desbotados de chita,
da certeza terrível do dia de amanhã
retrato fiel do que passou,
sem uma pincelada verde forte
falando de esperança.


(Excerto)

Noémia de Sousa

Saudade



Pairam ascendentes seduções
Nas formas cor de purpura
Da mística brisa distante.

Suaves recordações
Invisíveis fontes puras
Acordam na memória viajante.

Saudade,
Aquele calor sensível
Que se esconde no forro íntimo do sentimento

Aquela onda suave
Que refresca os horizontes da verdade

Aquele arrepio simples
Que se estende pelos sentidos da memória

Aquela fita silenciosa
Que se projecta no interior do peito

Aquele ardor nostálgico
Que se instala na serenidade do horizonte

Aquele murmúrio terno
Que ilumina a canção do olhar

Aquela seiva melancólica
Que alimenta os rios intermináveis do corpo

Há muito que não vejo
Aquele olhar radiante
Sorvendo a sensualidade do ar.


Jorge Viegas


Magia



Quando pela manhã se abrem as janelas
E entra a brisa da felicidade, isto é magia.
Quando se cheira uma rosa encantada
E se sente o perfume de um beijo ardente, isto é magia.
Quando os raios escaldantes do sol
Se transformam em fonte eterna, isto é magia.
Quando se mergulha nas gotas da chuva
E navegamos pela imensidão, isto é magia.
Quando se toca na cores quentes do por do sol
E descobrimos cânticos dourados, isto é magia.
Quando se vê no reflexo do brilho do luar
Os contornos íntimos da sua beleza,
Se sente o perfume ardente do teu beijo,
O calor penetrante da tua ternura,
A imensidão absorvente do teu carinho,
Isto é AMOR.


Jorge Viegas


Polana


I

Doirada alcatifa d’areia.
Um cúmplice lençol de praia.

Gloriosas bocas ávidas
Celebrando hinos.

Epílogos de carícias.
Gaivotas de nervos.
A maresia.
O sol.
A praia.


II

Uma enternecedora capulana de maresia.
Uma arenosa esteira prateada.
Gloriosas nossas bocas ávidas
celebrando cem mil hinos das línguas.
Beijos trincando-nos os dentes.

José Craveirinha


26.1.08

Eu naveguei pelo interior de um longo rio humano

Eu naveguei pelo interior de um longo rio humano
de tempos diversos onde também há sangue vegetal,
buscando o que acabei por encontrar - a imensa
angústia que se reparte.

Sobre isso escrevo.

Mas cuidado: a música da palavra é um casulo de
seda. Só dobando-o com olhos atentos se chega à
verdade - a solidão ansiosa e disponível.

No entanto, que cada um faça a sua leitura.


Glória de Sant'Anna

22.1.08

Alameda Vigiada

Quem me dera ser plâncton.
Ou ser como certas plantas,
permanecer indiferente
aos ventos
e aos sóis,
fazendo, sem os perigos do raciocínio,
a minha diária fotossíntese,
de que ignoraria o sabor.
Ou ser como as amibas
que se adaptam
e se desdobram, em sucessivas
mitoses,
em centenas de outras amibas
onde eu estaria autêntico,
ou não estaria autêntico.
Quem me dera passar desentendido
e não ser entendido,
átomo minúsculo na poeira eléctrica
da manhã,
ausente, bem ausente
deste coração
e desta carne
na sombra vigiada da alameda.


Ruy Knopfli
Canção de Namuno a Chiloa



Ai, Chiloa, o milheiral perdido!
O chá, o arroz e até ao amendoim,
As bananeiras tragadas pelo rio,

Que também nos veio roubar vaca matu.

Ai, Chiloa, o rio tem Chicuembe.

Porque nem mesmo as orações dos crentes,

Aqueles teus irmãos lá da missão,

Conseguiram salvar as plantações.

Ai, Chiloa, o rio veio-nos despir

E nos levou os montes de sisal

Que raposa Monhé, ladrão do sangue

Dos plantadores nossos bons irmãos,
Nos pagaria a peso do algodão!
Ai, Chiloa, antes me levasse o rio
Na lama das suas águas pardacentas
E um veleiro gigante me abarcasse
Com rumo à cidade do sol e amor!
Ai, Chiloa, iria sem uma mainata
Ou trabalhar de noite na estiva
Dos enormes cargueiros estrangeiros
Que ao longe, no mar, vemos cruzar!
Hei-de ver mais de mil carros iguais
Ao do teu padre Cruz, lá da missão.
Hei-de ver meus amigos magaíças
E pedir-lhes tabaco do Transval!
Ai, Chiloa, mas eu não quero ir!
Não posso aqui deixar-te tão sozinha!
Espero que as águas fujam para longe
E o sol de novo brilhe mais ardente!
Vou deixar fugir esta tristeza,
Que mora nos teus olhos e nos meus.
Vou deixar morre esta amargura
Que em nossos corpos entranhada vive.
Pegarás na enxada e cavarás
Com mais denodo ainda nossos campos.
O milheiral dar-nos-á mais milho!
Teremos mais arroz e mais sisal!
Ai, Chiloa, a cheia engoliu tudo
Menos a persistência dos teus braços,
A carícia doce de teus olhos,
E o esforço futuro dos teus filhos.


Virgílio de Lemos

Virgílio Diogo de Lemos nasceu em Lourenço Marques, a 29 de Novembro de 1929. Filho de pai goês e mãe moçambicana.
Fez parte, juntamente com Noémia de Sousa, José Craveirinha, Fonseca Amaral, Rui Knopfli, do grupo que nos finais dos anos 40 estabeleceu as bases da moderna literatura moçambi
cana. Utilizou os pseudónimos de Duarte Galvão, Bruno dos Reis e Lee Li Yang.


Herança



Respiro
20 séculos de cultura
em cada litro de ar.

Os tratados de Genética
afirmam à priori a existência
dumas quantas veias poéticas no meu corpo.

Para não desmentir toda a Ciência
expiro os meus poemas débeis,
marcados em cada palavra
pelo ar viciado.
Ruy Guerra


Rui Alexandre Guerra Coelho Pereira, nasceu em 1931, em Lourenço Marques (Maputo). Estreou-se como crítico de cinema aos 15 anos, tendo colaborado como contista e poeta em algumas publicações dos anos 50 em Moçambique. Em 1958 foi para o Brasil onde se radicou.

Magaíça


Magaíça, ao partir, não se prende

mas sofrendo no Rand é que aprende

que a mina é inferno, desterro e má sina,

que a terra é o céu de quem vive na mina!


Vem ver o sol, vem ver,

que é morte viver

debaixo do chão!


Diz, Magaíça, diz,

diz adeus à raiz,

diz adeus ao carvão...

O oiro que a mina te dá

não paga a saudade que há

no teu coração!


É lá fora que correm gazelas,

é lá fora que há nuvens e estrelas,

que o milho espigado, na seara a crescer.

parece que pede que o venham colher!

Reinaldo Ferreira


Reinaldo Ferreira nasceu em Barcelona a 20 de Março de 1922. Era filho do famoso jornalista com o mesmo nome, que nos anos 20 se celebrizou por assinar as suas peças sob o pseudónimo «Repórter X». Iniciou os estudos secundários em Espanha, tendo-os concluído já em Moçambique, onde se fixou. Colaborou em algumas publicações de Maputo (a então cidade de Lourenço Marques) e da Beira: Capricórnio, Itinerário, Paralelo 20, etc. A sua poesia só ficou conhecida aquando da publicação póstuma dos seus Poemas (1960). Teve uma vida breve e pouco bafejada pela sorte. Faleceu em 1959, vítima de cancro pulmonar.


Padrão


Eu,
o herói das mil vergonhas,
e falhado dos mil triunfos,
Eu,
o desiludido da vida,
cheguei à encruzilhada das decisões.

No areal movediço onde me firmo,
coloco o meu padrão
e grito o meu nome também.

Mas, só o areal me escuta
e o areal não é a minha ambição.
Como tantas vidas
fico sozinho na luta
com o inútil padrão
e as esperanças perdidas.



Vítor Evaristo

Rigor



Quando passa e aí devotamente se demora
o erudito na volúpia dos contornos subtis
para televisionar durante uma hora
o que se pratica e mais o que se diz
não pense que dispensamos o rigor da geometria
e da linguagem que nos faz a fala.

Sabemos como se desenha e pronuncia

cada sílaba de palavra nova
porque o escrúpulo gramatical é a verdade que o prova
assim um corpo no amor outro possui e dá-se

e a mulher pariu um filho e o embala.

Sim usamos régua, esquadro e compasso
e o vocabulário e a sintaxe
para medir a minúcia de cada traço
e formar o sentido exacto de cada frase
não leccionados. E se for preciso que se arrase
o antigamente caiado e agora decrépito muro
onde mão privilegiada escreveu
em nome da metrópole cerebral
«decreto: quem sabe e dita sou eu.»
Hoje temos o mar e o nosso próprio sal.


Orlando de Albuquerque

Carregadores


A pena que me dá ver essa gente
Com sacos sobre os ombros, carregadíssima!...

Às vezes é meio-dia, o sol tão quente,

E os fardos a pesar, Virgem Santíssima!...


À porta dos monhés, humildemente,

Mal a manhã desponta a vir suavíssima,

Vestindo rotas sacas, tristemente

Lá vão 'spreitando a carga pesadíssima...

Quantos velhinhos já, avós talvez,

Dez vezes, vinte vezes, lés a lés
Num dia só percorrem a cidade!

Ó negros! Que penoso é viver
A vida inteira aos fardos de quem quer
E na velhice ao pão da caridade...

Rui de Noronha

Mavíkis


De manhãzinha, a mata ainda escura,
Ainda dormindo os colibris nos ninhos,
Partem cantando uma canção obscura,
Em variados grupos, ou sozinhos.

Segura a mão calosa a moca dura.
E eles a cantar pelos caminhos
Antigas tradições de ida bravura,
Canções obscenas, ritos de adivinhos.

Já fogem as estrelas derradeiras,
E acendem-se as grotescas maçaleiras
À luz do sol fecunda e abrasadora.

Já chegam à cidade, — mas o canto,
Que os trouxe de tão longe, irá entanto
Suavizando a faina o dia fora ...


Rui de Noronha


Quando eu morrer




Quando eu morrer
que nem uma lágrima se perca na poeira de Moçambique
Terra quente que receberá meus restos
E os corromperá pela eternidade fora.
Que o sol não deixe de brilhar quando eu morrer
Mas resplandeça com muito mais brilho
Para meu irmão que estará vivendo.
quando eu morrer
Que nem poetas cantem minha morte e vida difícil
Mas chorem dor de quem em meu lugar estará vivendo.

Eu sei...
Eu sei que quando desaparecer
Minha terra será sempre a mesma:
Terra triste que grita em vão
Terra negra de sorriso negro
Terra meiga de verde esperança.

Minha terra é de dor tristeza e amor:
Tem palhotas que escondem a mais vergonhosa miséria
Tem mulheres que sorriem para não chorar
Tem corações que amam para não odiar
Tem olhos que atraiçoam dor do coração.
Desde Munhuana até Xinhambanine
Desde Lingamo até Malhangalene
É miséria o que se respira
É miséria chão que se pisa
É miséria caniço à roda
É miséria o que se tem que pensar.
Mas se é miséria que abunda na minha terra
Que nem ela chore minha morte
Pois precisa de forças para lutar contra a miséria.

Que ninguém chore por compaixão
Que ninguém finja chorar de dor
Que ninguém chore de dor verdadeira
Porque quando morrer
Quero que todos dancem de esperança
Ao ritmo do batuque do povo.

Albino Magaia

Albino Fragoso Francisco Magaia nasceu em 1947, em Lourenço Marques (Maputo). Activista cultural e político desde os anos 60. É jornalista e escritor com colaboração em diversas publicações.

20.1.08

No Cais



Há vibrações metálicas chispando
Nas sossegadas águas da baía.
gaivotas brancas vão e vêm, bicando
Os peixes numa louca gritaria.

Escurece. Do largo vão chegando
As velas com a farta pescaria.
As bóias põem no mar um choro brando
de luzes a cantar em romaria.

E entretanto no cais as lides crescem.
Arcos voltaicos súbito amanhecem,
A alumiar guindastes e traineiras...

E ouve-se então mais forte, mais vibrante,
Os pretos a cantar, noite adiante,
Por entre a bulha e o pó das carvoeiras...

Rui de Noronha


Romance do negro que não voltou


1

Um dia
mãe negra começou a inchar
a inchar, a inchar.

Ih!
Sua barriga ficou assim,
grande cuma quê...

Depois
nasceu negro.
E barriga de mãe negra
ficou piquena
outra vez.

Nasceu negro
e barriga de mãe negra
ficou piquena outra vez.

2

Negro quando nasceu
era branco.
Mas depois
ficou negro.


Meu Deus!
Num sei qui lh'aconteceu.

Negro era branco
e ficou negro.

3

Veio seu Padre
lá da Missão.
Deitou água nele
e baptizou.
Antão
negro piqueno
ficar cristão.

Mas ficou sempre
negro cuma quê...

4

Lá no mato
negro brincou,
cresceu.

Lá no mato
negro crescia,
panhando gala-gala,
tingolé
e maçala.

Caçando passarinho,
roubando ovos do ninho
da galinha
da muiér do soba Kutulú.

E negro crescia
cum outro piqueno.
E negro num via
qu'ele era negro,
negro cuma quê...
Mesmo quando tomava
banho no rio,
olhando jacaré
era sempre negro
negro cuma quê...

5

E negro piqueno ficou grande.

Mais nada.


Orlando de Albuquerque


Orlando de Albuquerque Ferreira, nasceu em Lourenço Marques (Maputo) em 1925. Estudou medicina e esteve ligado à Casa dos Estudantes do Império. Organizou em colaboração com Vítor Evaristo a antologia Poesia em Moçambique considerada um marco na historiografia literária do País. Faleceu em 1997.


Esperança



A barca negra passou
e por nós deixou a marca
dos seus agoirentos sinais.

Passou a barca,
e tudo em nós chorou
o «nunca mais».

Flores sobre a terra fresca:
lágrimas na alma a germinar;
e a vida em nós, aos gritos e aos soluços.

Mas a chama voltará
quando chegar o tempo.
E a terra, negra
da gordura de ambições,
frutificará então,
com raízes de sonhos frustrados,
com limos de remorsos antigos,
mas com a verdade no corpo gretado
da vida a rebentar de novo.

Vítor Evaristo


Vítor Manuel Ganda Evaristo nasceu em Lourenço Marques (Maputo) em 1926. Formado em Engenharia Civil,pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa. Participou em várias iniciativas de divulgação e valorização da cultura e da literatura de África, tendo colaborado com nomes tão importantes como Agostinho Neto, Lúcio Lara e Orlando de Albuquerque. não tem, contudo, nenhum livro publicado.

Xangana filho pobre


Nas minhas veias
corre o sol da terra austral
cor de fogo e de vulcão
em florestas de leão

e o rio avança na paisagem

em curvas altas
tumultuosas
contra o acre
destino adverso

ou em alegre ondular
se Xangana vem nadar

As árvores erguem troncos fortes
e suas copas verdes e largas
se abrem cobrem e abraçam Xangana
filho pobre do meu país

Xangana
filho de Moçambique
nasceu pobre
e não foi à escola

Dizem mesmo
que não sabe história
nem conhece geografia

No entanto

quando o rio enfurecido
ecoa nas palhotas
e no ar verde-amarelo de caju
vai pelos campos e florestas

é a voz longa de Xangana
filho pobre de terra rica
que cantando vem gritando

Ó sol do meu país
ó sol de Moçambique
filho escravo nasci pobre
sobre a terra de meus pais

Baila ó sol do meu país
baila sobre a terra
de mangueiras e cajueiros
Do alto das copas verdes
de novo serei rei


Marcelino dos Santos


Poeta e político moçambicano, Marcelino dos Santos, ou Kalungano ou Lilinho Micaia como era conhecido, nasceu em 1929, no Lumbo (Nampula). Interessante e reconhecido poeta e activista político moçambicano, cedo se integrou na sociedade portuguesa vindo para Lisboa fazer os seus estudos superiores. Foi membro fundador da Frente de Libertação de Moçambique, onde chegou a vice-presidente. Depois da independência de Moçambique, Marcelino dos Santos foi o primeiro Ministro da Planificação e Desenvolvimento, cargo que deixou em 1977 com a constituição do primeiro parlamento do país (nessa altura designado “Assembleia Popular”), do qual foi presidente até à realização das primeiras eleições multipartidárias, em 1994.


Quando elas abrem
Fecho meu instinto
Catalizo a vontade delas
Despindo-me para as satisfazer

E provém
A ausência do sentido
Que o dado tempo
Enche-me de carência

Escapulo
Torno-me um rebelde
Da ocasião que elas legam
Meu prazer adulterado.

Jorge Matine

Jorge Matine nasceu em Maputo em 1976. Estudou Engenharia de Transportes e Comunicação.É membro fundador e secretário-geral da Associação dos Jovens Escritores. Coordena a edição da revista literária Oásis. Poesia editada: Abutres do Amor.


Mc Gee


Conhecem Mc Gee?
Lá no Norte
mataram Mc Gee.
Para a cadeira eléctrica
mandaram Mc Gee.
Porquê?
- Foi o álcool

- Violou uma loira...
- Foi o álcool...

Ajoelhada num canto da Igreja
Toda a noite a mãe rezou
dentro dela é um mundo que lateja
do peito da mãe um pranto estalou:
Senhor
Meu filho não é pecador
Senhor
Meu coração é Mc Gee
Mc Gee, meu filho, está inocente

Mas agora, senhor
Mc Gee é um muro
sobre Mc Gee crepita o ódio
Senhor, senhor,
Meu sangue estremece
mataram Mc Gee, meu filho!
Mc Gee...!

Gualter Soares

Gualter Manuel Rodrigues Soares, nasceu em Lourenço Marques (Maputo) em 1930. É licenciado em Ciências Físico-Químicas. A sua actividade política e cívica influenciou de modo significativo um grupo de estudantes africanos em Portugal nos anos 50/60. Foi casado com a poetisa Noémia de Sousa. A sua poesia foi integrada em várias antologias, mas não tem nenhum livro editado. Reside em Paris.


A Cidade


O coração solta do tempo a cidade
distancia a estrada azul dos sonhos
como no deserto a vida à roda do sol
magoa o crepitar do vento
e chama e chama o teu nome
esta distância de cidade a cidade
rompe o grito da noite
o pranto da terra nos ossos podres de quem
chama
agoniza o crepúsculo
envolvendo num grito o mar
de cidade a cidade
o asfalto sangrento de quem não pode esperar
mais
o rosto da armada perdido no vento da estrada
distante

Francisco Muñoz


Francisco Muñoz nasceu em 1974 no Maputo. É membro da Associação Cultural Xiphefo que edita um caderno literário com o mesmo nome, em Inhambane.
Mente acesa


Nas manhãs
m
arginais
nas matinais

marginais
u
mas manhas
p'ra esquentar
a mente!


Domi Chirongo


Domingos Carlos Pedro é o nome de registo de Domi Chirongo. Nasceu no Maputo em Abril de 1975. Licenciado em Psicologia e Pedagogia, conferencista, escritor e poeta. Colaborador em vários órgãos de informação de Moçambique e do estrangeiro. É membro do Sindicato Nacional dos Jornalistas, e da Sociedade Moçambicana dos Autores entre outros. Fundador e coordenador da União Nacional dos Escritores moçambicanos.


Candonga



No meu País
os candongueiros brotam

devoram a extensão
das sua coordenadas

deslizam rodopianates
do Rovuma ao maputo

Cogumelos
parasitam de chapéu
entre o Povo
que transpira a rodar os dias
à volta do Sol

O Camarada Sol
o artista criador
com o seu foco irisante
irradiando o passo a duo
a coreografia
das enxadas e martelos...

Mas os cogumelos, esses
pululam
exalam odor a «trinta dinheiros»
especulando até
nos molhos de nabo
de couve e de agrião
que viram pelotão
de candongueiros...

e se infiltram subvertendo
o objecto da maternal sopa:
No caldo exangue erguido na colher delida
invadem a boca alastram a fome
e definham a vida

do Povo e da Nação

E na colherada
discriminatoriamente erguida
até à gula
aí subtil desliza subversivo
o caldo espesso da inflação


Clotilde Silva


Clotilde Nunes Silva , nasceu em Lourenço Marques (Maputo) em 1925. Tem colaboração dispersa na imprensa moçambicana. Pertenceu à direcção da Associação dos Escritores Moçambicanos. Em 1985 publicou o livro de poemas Testamento-1.


Mukhokweni


Ao Quinho

Mukhokweni
não é lugar de cocos.
Mukhokweni
também tem história
retida na íris
dos meninos da Malanga.
Vivíamos a monte
entre coqeuiros, pamas e piteiras
e tínhamos tudo!
Crianças sempre esfarrapadas
mulheres grávidas todos os anos
xibalos-carregadores
e magaízas endinheirados
que os mabandido por vezes
esfaqueavam.
A polícia também investia
para metralhar corpos
e efectuar prisões
mas em Mukhokweni
sobretudo
vivíamos entregues a nós mesmos.
Vinte e quatro anos são passados
sobre os coqueiros, pamas e piteiras
de Mukhokweni ora urbanizado.
Mas os gritos
pragas e imagens continuaram
doidamente condensados
nos nossos corações já amadurecidos.
Jacinto, Fernanda, Madala
e tu Kadir?
Todos companheiros de infância
que o regime implacável dividiu.
Lembram-se irmãos
dos jogos de futebol no campo da Glória
onde o Zeca
esse loiro traquina
apanhava da mãe para não aprender
a falar landim?
Mas o pau de amoreira
no seu corpo franzino
não o assustava
e lá o tínhamos diariamente
como avançado-centro da nossa equipa.
Não sei o que foi feito dele.
Da Fernanda sei.
Essa menina mulata
de tranças de carapinha
não teve ninguém
por isso há dias sem me reconhecer
quis vender-me amor num quarto qualquer da cidade.
Não me mente
este tempo historiado!
Agora
meninos totalmente diferentes
vivem em Mukhokweni
sem coqueiros, sem pamas e sem piteiras.
Porém
quando passo no lugar
quase sem rancor
choro
milhares de pessoa
que Mukhokweni marcou para sempre!


Calane da Silva


Escritor e ensaísta, Raúl Alves Calane da Silva, nasceu em Lourenço Marques (Maputo) em 1945. Jornalista é hoje docente universitário. Coordenou com Gulamo Khan e Luís Patraquim, a Gazeta das artes e Letras da revista Tempo, nos anos 80.
Dos Meninos da Malanga (1982), em poesia, foi o seu livro de estreia, mas seria com Xicandarinha na Lenha do Lume (1988) que a sua personalidade literária se haveria de afirmar.