2.6.10

Eu comedor de catedrais e mitos



eu comedor de catedrais e mitos
atravesso o deserto
com medos e verdades
sentinelas de carne a vigiar o dia

é a hora exacta
de apareceres no meu quadrante
influência súbita permanência e dia:
tu a fera o muro
o pássaro de plumas

serpente que se alimenta de mim
surges e devoras este corpo de fogo
reminiscência frágil de veneno e crime
ou fénix apenas renascida

em qualquer caso surges
exterminas ainda
a eventual sobriedade que denuncio

fidelidade não

não era permitido ver o sol
porque chovia

Lourenço de Carvalho