17.3.08


Poema décimo terceiro


Megama régulo grande
anda por cima do tempo
tem longas palavras duras
que lança por muita gente

seus gados pastam por longe
ao lugar onde o sol desce
conta por muitas machamba
seus filhos suas mulheres

caminha muitos caminhos
que tocam os horizontes
dos pensamentos tecidos
em volta da sua fronte

Megama é régulo grande
de todo o mato ao redor

É escolhido Megama para a luz da tarde
que se infiltra na sala
para ser na luz da tarde solene e aplaudido
e oferecer o peito a uma medalha

de fidelidade

não por ser rico e grande na árvore
dos régulos de que parte
mas por uma firme palavra

de fidelidade

Megama é régulo grande
agora em toda a parte

(a fidelidade
está entre o sonho e a verdade
e não se nutre de palavras:
é grave

mas frágil
e usa a veste
da hora a hora de um dia enorme

vigília
é seu outro nome

esperança
sua qualidade

coragem
sua estrutura imutável)

ai, Megama régulo grande
repetido entre os ecos do Chiure
quebrou sua medalha
quando o primeiro grito do n'pure se soltava
para um prenúncio de chuva nas altas árvores

o medo rastejava
atrás de Megama grande porque havia ameaça
e gumes brilhavam entre a folhagem
dos diversos caminhos de seus passos

e ele (ai) fios brancos no cabelo crescendo
como flores de algodão
palavras de duas faces no lábio
e em seu coração (ai) quem pode
saber em quantos cristais sangrentos
se solta o que se chama alma
e é princípio e fim do homem

Megama régulo grande
quebrou sua medalha

Depois na fortaleza de cinco pontas
copiada de uma estrela no céu de luto
Megama ficou igual a tudo tudo
que fermenta, se decompõe e deteriora
na cúmplice penumbra morna

e mudo
lentamente perdendo sua figura
curvando-se para ser sugado antes da hora
para a terra sem lápide rasa e nua

ele tombou para sempre num tempo sem memória


Glória de Sant'Anna