2.3.08

Canção do país de Cecília


Sou eu, irmãos e companheiros,
que regresso.
Eu e os velhos sonhos destroçados.
Eu, velho e vencido
antes do tempo.
Mas trago-vos poemas
e apelos
e angústias
e outros sonhos que nasceram
(Cecília, na tua terra!)
que serão
no meu céu de desespero,
o sinal aceso
de uma nova guerra.

2

Guerra que não quero,
a que prefiro o sonho
que a brisa e o luar embalam
na podre paz que tanto amo.
Mas não posso (Cecília, do país ausente!)
ver uma estrela baloiçar num ramo,
como um fruto maduro e inocente.

3

Por isso estendo as mãos para colhê-lo
e sinto um mar de fogo nos meus dedos.
É a guerra (Cecília, minha irmã)
- a guerra inevitável que não quero,
com o seu cortejo de fantasmas e de medos.


Nuno Bermudes