12.2.08

A razão e o rumo

Viajo agruras sem distância,
perco-me nos enovelados círculos
que me crio,
embaraçam-se-me os pés
na lama de raízes ocultas.
Arranco estrelas dos cabelos,
anémonas do peito,
gladíolos do caminho.
Viajo na curvatura do negrume,
os olhos cegos de medonhas névoas,
nocturno e desgrenhado,
tortos os dedos de empurrar o sonho.
Dispo de mim os falsos amplexos,
os liames de inibitórias obrigações,
os tumores fictícios que devoram o movimento
e peiam de lampejos enganadores
os rumos verdadeiros.
Não é denodo, não é coragem,
não é sobre-humano o motivo
por que viajo.
Reajo
às antigas e estipuladas fronteiras,
junto o meu sangue às mil pulsações
do inquieto momento.
Na vigília viajo e toco com os dedos
o bordo sangrento
que aproxima de mim a exacta medida
do dia necessário.

Rui Knopfli