17.2.08


Poema do beber no antigamente
dobro a esquina da memória
a mais próxima dos amigos de então

e ali fico
sob a luz que no poste
me derrama em mil sombras
que uma a uma reconheço

o que fui o que sou
o que um dia quiseram que eu fosse
mas não fui
o que a esquina da memória dobrou
e no poste sob a luz se inspirou

sou eu não sou
na dialéctica da vida
fui aquele que nunca foi
sou aquele que sempre será

assim
a beber no antigamente
ficou-me a sede
do eternamente


Rui Nogar