9.2.08

Me amansa

Ilha -Retalhos VII


As linhas que se desenrolam das mãos da
madrugada
nem sempre no seu termo apagam peixes
nem sempre na sua tensão se desenganam

mas levam nos olhos um prazer de vida inexplicável
na carapinha levezas adoçadas de orientes
nos cofiós adornos de sextas-feiras brancas

confundem-se nos terços de várias crenças
deuses de água a deslizar sentenças
nas noites prateadas de luar

e me amanso e me moldam sonhos infantis
para que o ruído dos dias se harmonize
duros dias de aprender vénias controlar humores

temos de ser capazes de adivinhar as máscaras
do vento a modelar matizes no calar das faces
da mágoa que se tem no peito presa

é que a doçura infinita dos saberes forros
carrega em si milhares de desimpressões
no choro de alegria ou num subtil sorriso de tristeza


Júlio Carrilho