22.1.08

Carregadores


A pena que me dá ver essa gente
Com sacos sobre os ombros, carregadíssima!...

Às vezes é meio-dia, o sol tão quente,

E os fardos a pesar, Virgem Santíssima!...


À porta dos monhés, humildemente,

Mal a manhã desponta a vir suavíssima,

Vestindo rotas sacas, tristemente

Lá vão 'spreitando a carga pesadíssima...

Quantos velhinhos já, avós talvez,

Dez vezes, vinte vezes, lés a lés
Num dia só percorrem a cidade!

Ó negros! Que penoso é viver
A vida inteira aos fardos de quem quer
E na velhice ao pão da caridade...

Rui de Noronha